quarta-feira, 7 de julho de 2010

Feriadão prolongado!!!

09 de Julho, Revolução Constituicionalista de 1932.


Todos querem folgar neste dia, mas quem da importancia ao real motivo do feriado? Pois é, poucos se importam com a história do nosso País.
Em uma época conturbada, pressionada pela Ditadura no ano de 1932, um grupo de populares saiu da Praça do Patriarca e se dirigiu para a sede do Partido Popular Paulista (PPP) e da Legião revolucionaria, um clube de tenentes favorável a Getúlio Vargas, na Praça da República em São Paulo. Dentro do prédio, os legalistas resistiram. Como os revolucionários não conseguiam entrar, chegaram duas escadas para que populares invadissem. Um jovem subiu e tomou um tiro. Mais três tentativas foram feitas e os jovens foram baleados, resultando em quatro mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC). Um outro jovem, Orlando Oliveira Alvarenga, também foi baleado, mas faleceu meses depois, ficando fora da sigla MMDC. Para homenageá-lo e a outros estudantes anônimos, o governo do Estado criou o Colar Cruz de Alvarenga e dos Heróis Anônimos".



A morte dos jovens estimulou mais ainda a articulação dos paulistas. Minas Gerais e Rio Grande do Sul acenaram com apoio ao movimento armado em São Paulo. Flores da Cunha, interventor no Rio Grande do Sul, chegou a prometer pegar em armas contra Vargas. A data da revolução foi marcada para o dia 14 de julho, mas os acontecimentos se anteciparam. Bertoldo Klinger, comandante militar do Mato Grosso, que garantira apoio ao movimento, foi destituído do posto e transferido para a reserva. Diante do imprevisto, os paulistas resolveram apressar o início da revolução, que acabou estourando no dia 9 de julho. 

TESTEMUNHA

O jornalista e escritor Silveira Peixoto testemunhou a morte dos estudantes Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, durante o confronto com a Legião Revolucionária em 23 de maio. Durante a Revolução, Peixoto fez a cobertura jornalística pelo Diário Nacional e numa entrevista publicada em julho de 1999 contou o que aconteceu.
"Na noite do dia 23, alguém lembrou que a Legião Revolucionária, o Partido Popular Paulista, ficava na Praça da República. Uma multidão partiu para lá. Já era noite fechada. Quando chegamos, mais ou menos na esquina da Dom José de Barros, veio uma rajada de metralhadora, dispersando o grupo. Juntamo-nos de novo e fomos correndo para lá, o último prédio à direita de quem vai para a Praça da República, na esquina com a Barão de Itapetininga. Tentamos abrir o portão reforçado e não conseguimos. Arrumamos escadas para subir à sede do PPP na sobreloja. Subiu um, que tenho a impressão que foi o Martins e... teve o peito picotado pela metralhadora. Eu ajudei a socorrê-lo, carregando-o dali mas já devia estar morto. Enquanto isto, subiram outros e aconteceu a mesma coisa. Nisso, a Força Pública, cercou o quarteirão e na base da conversa, conseguiu resolver o problema. Fomos então tratar dos baleados. Quatro estavam mortos e o Alvarenga ainda estava vivo. Imediatamente tratamos de levá-lo ao hospital. Ficou 15 dias internado e morreu. A sigla MMDC aproveitou Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Foi fundada antes da morte do Alvarenga, mas mesmo assim, nós o reverenciamos também."

Devido à estes acontecimentos desde 1995 nós paulistas, celebramos a data magna do estado, em memória ao dia em que o povo paulista pegou em armas para lutar pelo regime democrático no País, explodindo a Revolução Constituicionalista de 1932.
A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um movimento armado ocorrido entre julho e outubro de 1932 e tinha por objetivo a derrubada do governo do presidente Getúlio Vargas. Ele havia assumido o poder em 1930.
Com um governo provisório, mas de amplos poderes, Vargas fechou o Congresso Nacional, aboliu a Constituição e depôs todos os governadores. Insatisfeita, a população iniciou protestos e manifestações, como a do dia 23 de maio, que terminou num conflito armado. A revolução então acabou eclodindo no dia 9 de julho, sob o comando dos generais Bertolo Klinger e Isidoro Dias.
O levante se estendeu até o dia 2 de outubro de 1932, quando os revolucionários perderam para as tropas do governo. Mais de 35 mil paulistas lutaram contra 100 mil soldados de Getúlio Vargas. Cerca de 890 pessoas morreram nos combates. Getúlio Vargas permaneceu no poder até 1945, mas já em 1934 era promulgada uma nova Constituição dando início a um processo de democratização. Sinal de que o sangue paulista não foi derramado em vão.

Agora sim, bom feriado a todos! 
 
Texto composto com informações de artigos relacionados ao MMDC.

Fonte: A Verdade Sobre a Nostalgia


por Raul Diamantino

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